Mostrando postagens com marcador revoltas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador revoltas. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 24 de maio de 2019

A REVOLTA DE CARRANCAS 1833

   

A Revolta de Carrancas teve início no dia 13 de maio de 1833 nas propriedades da família Junqueira, localizadas ao Sul de Minas Gerais. A revolta começou na Fazenda Campo Alegre, de Gabriel Francisco Junqueira, que era um dos principais políticos da Facção Liberal Moderada e eleito deputado em 1831.

Na parte da manhã, os escravos já haviam tirado o leite e alimentado os animais, como bois vacas e cavalos. E a partir do meio-dia estavam trabalhando na roça, cuidando das plantações de milho, feijão, arroz, etc. Aquela tarde de 1833 seria fatídica e histórica.O local estava sob os cuidados do filho do deputado, Gabriel Francisco de Andrade Junqueira, que na ausência do pai tomava conta dos negócios da fazenda. Ao meio-dia, como de costume, ele foi até a roça para supervisionar o trabalho dos cativos. Pediu para um escravo arriar o seu cavalo e saiu em direção à roça. Ao chegar lá não notou nada de estranho, porém a normalidade era apenas ilusória.  Ainda montado em seu cavalo, ele foi surpreendido pelos escravos, liderados por Ventura Mina, que mataram-no com várias porretadas na cabeça.

Gabriel nesse momento era juiz de paz do distrito de São Tomé das Letras. Os escravos não atacaram a sede da fazenda Campo Alegre porque o terreiro da casa-grande estava fortalecido por capitães do mato. O grupo, então, se dirigiu à Fazenda Bela Cruz e se uniu a outros escravos daquela propriedade e assassinaram vários integrantes da família de José Francisco Junqueira, irmão do deputado, inclusive três crianças. O momento mais grave da revolta teve como palco a Fazenda Bela Cruz. Os escravos invadiram a propriedade e investiram diretamente contra José Francisco Junqueira e sua esposa Antônia Maria de Jesus, que se refugiaram em um quarto, mas não conseguiram escapar. O vassalo Antônio Retireiro pegou um machado na senzala e o entregou a Manoel das Vacas, que ficou tentando arrombar a porta enquanto Antônio voltou a senzala para buscar um revólver carregado. Após arrombarem a porta do cômodo, Antônio disparou no rosto de José Francisco Junqueira. Além disso, todos os outros presentes no quarto foram massacrados, como a mulher, filhas e netas de José Ana Cândida Costa, viúva de José Francisco Junqueira, foi a próxima vítima. Ela foi assassinada a golpes de foice no quintal da fazenda pelos escravos Sebastião, Pedro Congo, Manoel Joaquim e Bernardo. Ana foi encontrada em um estado deplorável, seu rosto estava desfigurado e sua cabeça não estava unida ao corpo. Além dela, mais três crianças também foram mortas com requintes de crueldade. 

Uma das testemunhas interrogadas sobre o caso, Raimundo José Rodrigues, afirma que mesmo depois de mortos as vítimas foram castradas e tiveram as mãos machucadas com pedras. Os escravos rebeldes de Carrancas   após serem capturados foram punidos. Dezesseis foram condenados à pena de morte por enforcamento e executados em praça pública.  Alguns foram  condenados como cabeça da revolução, de acordo com o Artigo 113 do Código Criminal que determinava pena de morte para crimes assim. Outros foram punidos pelo crime de homicídio qualificado, segundo o Artigo 192 do mesmo código.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

A SABINADA 1837 A 1838



Do ponto de vista histórico, a cidade de Salvador sempre fora palco de importantes rebeliões que iam contra as imposições oficiais.  

A Sabinada ocorreu no estado da Bahia e foi uma revolta realizada pelos militares e pelos integrantes da classe média como profissionais liberais, comerciantes e funcionários públicos. São muitas as causas dessa revolta. Uma delas é o grande descontentamento com as imposições que vinham de Portugal. Nessa época, a exemplo, os governantes de Províncias eram nomeados por Portugal, não havia uma eleição para a escolha dos governantes e isso acabava prejudicando a população local. Outro motivo eram os altos impostos que também eram cobrados pelo governo regencial. 

O então regente Diogo Antônio Feijó renuncia ao seu cargo e isso aumentou ainda mais a frágil estabilidade no Brasil e, principalmente, na Bahia. O motivo alegado de sua renúncia foi o fato de não conseguir controlar as revoltas que estavam ocorrendo no Brasil. O estopim da Sabinada aconteceu quando foi estabelecido pelo governo regencial o recrutamento militar obrigatório para combater outra revolta que estava ocorrendo no sul do Brasil: a denominada Guerra dos Farrapos. Esse decreto causou grande revolta na população e, aproveitando essa reação, o médico e jornalista Francisco Sabino Vieira inicia o movimento que acabou levando seu nome. 

Ainda na madrugada do dia 6 de novembro para o dia 7 do mesmo mês do ano de 1837, o líder Francisco Sabino e seus seguidores acabaram proclamando a “República Bahiense” que seria uma república provisória, somente existiria até que o herdeiro do trono, Pedro de Alcântara, atingisse a maioridade. Os revoltosos conseguiram o apoio de vários integrantes do exército e foram para as ruas, tomando diversos quartéis como o Forte de São Pedro. O governo imperial tentou acabar com a revolta, mas os soldados enviados acabaram passando para o lado dos revoltosos. Outro edifício que também foi ocupado foi a Câmara Municipal onde foi assinada a primeira ata da nova república e que tinha mais de cem assinaturas, tendo Daniel Gomes de Freitas nomeado Ministro da Guerra.

A repressão acabou acabando com a revolta, com Salvador retomada. Houve cerca de 2 mil mortes, entre revoltos e membros que combateram ao lado do governo, mais de 3 mil pessoas foram presas. Assim, em março de 1838, a rebelião chegava ao fim.


Referencias: DEL PRIORE, Mary, VENANCIO, Renato. Uma Breve História do Brasil. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2010.

FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 1996.
Imagem: Internet